Astronadc Pereira, é policial militar, Psicologo e professor. Mais conhecido como Sargento Pereira.

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Um homem com sonhos e pé no chão com a certeza de que o amor e a felicidade é o combustível que nos nutri de esperanças e fé. Prefiro que não discutam comigo e sim com minhas ideias.
Paz, felicidades, saúde e fé.

Astronadc Pereira

segunda-feira, 25 de maio de 2015

SETORES DO CONGRESSO NACIONAL ARQUITETA UMA AÇÃO GENOCIDA CONTRA A JUVENTUDE E CONTRA A SEGURANÇA PÚBLICA DO BRASIL.

O Brasil discute a redução da maioridade penal, projeto que já tem 20 anos e estar no Congresso Nacional. Há muitas discussões e investidas de setores do parlamento para que o projeto seja aprovado. Mas o Brasil deveria estar discutindo o combate a corrupção! O Brasil deveria estar discutindo os grupos de extermínios, a redução da violência urbana e a violência contra o homem do campo. O Brasil deveria estar discutindo a redução do analfabetismo e da evasão escolar! Deveria estar discutindo a violência contra a mulher! Discutindo a redução da insegurança Pública e como melhor inibir a criminalidade.

O Brasil deveria estar discutindo a violência contra o professor, o trabalhador, e a violência contra os policiais. O Brasil deveria estar discutindo como possibilitar a polícia brasileira a valorização da atividade policial e melhores condições de trabalho e emprego. O Brasil deveria estar discutindo como fazer uma revolução na educação para o bem de todos os brasileiros. O Brasil deveria estar discutindo como promover saúde de qualidade para todos. E por que não estar se discutindo todas essas questões importantes e urgentes ao povo paraibano, aos nordestinos e ao Brasil? Por que tanto desejo de políticos em querer reduzir a maioridade penal?

Como sempre esses políticos – donatários da politicagem querem esconder e camuflar a sua incompetência política e seus verdadeiros interesses. O Tema da maioridade penal é um engodo para distrair a sociedade de outra realidade. Como sempre fez e fazem boa parte dos políticos brasileiros. É uma forma rasteira de não se discutir com profundidade o que gera a insegurança, a criminalidade e a violência. Se os políticos fossem discutir políticas para se reduzir a criminalidade a violência, a insegurança e a impunidade suas mascaras cairiam por terra. A máscara da incompetência da corrupção e de seus vínculos com o crime da corrupção.

É preciso aperfeiçoar a política criminal do Brasil. Promover políticas públicas eficientes. Agir contra a impunidade. E Estabelecermos um pacto pela educação no Brasil. A sociedade muda frequentemente as leis, e pode torna-las justas. Mas a lei não muda uma sociedade a não ser para escravizar ou excluir. O Brasil não reduzirá a violência reduzindo a maioridade penal. Ao reduzir a maioridade penal o adolescente terá liberdade plena para conduzir suas próprias decisões sem efetivamente estar pronto para comandá-la.

Ainda na menoridade o jovem tem a família – os pais, para orientá-los e impor limites. Com a maioridade penal reduzida, já, não será mais possível qualquer gestão dos pais ou da família e o próprio adolescente é quem fará seu próprio limite, mesmo não tendo na maioria das vezes as condições plenas e do desenvolvimento necessário. Até aos 18 anos de idade o adolescente estar em desenvolvimento - Biopsicossocial. Ele ainda estar a aprender e compreender melhor a sua própria natureza. É nesta faze que através de uma melhor orientação, o jovem pode aprender que pode ter liberdade, porém, com responsabilidade, é um ensaio para sua vida adulta.

De uma parcela da juventude brasileira, apenas uma pequena parte comete crimes. É verdade que esta pequena parte estar inquietando a sociedade brasileira. O ar de ironia, irresponsabilidade, maldade e até satisfação ao cometer delito. Tudo isso estar levando a sociedade ao desejo de dar uma resposta rápida e forte – é o “sentimento retributivo penal”, no entanto será justo que a maioria pague por uma minoria? Como é que queremos que os adolescentes não pratiquem delitos – se ao reduzir a maioridade penal, eles – os jovens, terão toda liberdade para fazer o que desejarem, já que serão maiores de 16 aos? Que lógica é essa? A quem interessa tudo isso? E por quê?

A lei da redução da maioridade penal quer punir os que cometem crimes, e são exatamente estes que a família, o estado, e a sociedade abandonaram.  O estado não cumpre seu papel de tomar conta desta pequena parcela da população, chamada: adolescentes em conflito com a lei. A redução da maioridade penal é logicamente uma lei punitiva, seletiva e injusta. Os políticos deveriam estar discutindo a efetivação e aplicação das leis que já existem tornando-as leis: Educativa, inclusivas, justas e eficazes. Fazendo valer o ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente em sua plenitude. A redução da maioridade penal é uma fraude, um engodo contra o povo brasileiro, um atentado violento contra a juventude do Brasil, e a promoção de uma terrível insegurança contra o povo brasileiro, que se concretizar vai ser a maior demonstração que o nosso Congresso Nacional estar definitivamente num absoluto retrocesso e nas mãos de criminosos da história do Brasil e do nosso povo.

Apenas 1% dos crimes violentos é cometido por adolescentes menores de 18 anos. É uma fraude porque a intenção do Congresso Nacional, é primeiro reduzir a maioridade penal, depois acabar com o estatuto do desarmamento, depois terceirizar a construção de presídios no Brasil. Com a redução da maioridade penal, aumentará potencialmente o número de adolescentes condenados as masmorras do sistema prisional já falido. O sistema prisional não suportará o montante de presos que serão encaminhados para as unidades prisionais, ou seja, os jovens de 16 a 18 anos.

Com o aumento expressivo da população carcerária, o estado precisará construir mais presídios, havendo, portanto – neste senário, a necessidade de se terceirizar a construção de novos presídios para comportar tanta gente presa. As corporações que financiam os políticos construirão as novas unidades prisionais. E com a extinção do estatuto do desarmamento, proposta já no Congresso Nacional mais adolescentes, mais jovens, mais pessoas cometerão crimes com armas de fogo, logicamente e, portanto mais adolescentes, jovens e pessoas para a bastecer as unidades prisionais – assim mais construção de presídios. Tornando a privatização carcerária no Brasil uma real necessidade nas mãos dos maus políticos e dos que (a eles) financiam suas campanhas. Só quem ganha com tudo isso é o capital privado e financeiro, a corrupção, a politicagem, e os maus políticos.

O Capital privado financiam as campanhas de muitos políticos e por isso setores importantes da política querem a redução da maioridade penal; a extinção do estatuto do desarmamento, e a privatização  das unidades prisionais no Brasil. Quem defende a redução da maioridade penal deveria visitar e conhecer os presídios de seu estado. Como podemos reduzir a maioridade penal se o nosso sistema prisional está nas mãos do crime organizado? E de todo tipo de violência: Física, psicológica, sexual, simbólica e social?
Como podemos reduzir a maioridade penal no Brasil se o nosso sistema carcerário não recupera ninguém, não possibilita nenhuma punição efetiva, justa e restaurativa? Mas torna o que lá estão em “monstros” ou “doutores do crime”. Como reduzir a maioridade penal se dentro das unidades prisionais, os psicopatas, os sociopatas e o crime organizado ditam as leis e as regras internas? Em alguns Estados corrompem até mesmo autoridades.

O Estado não cumpriu seu dever de educar as crianças, adolescentes e jovens. Temos décadas de atraso escolar e deficiências gritantes nas redes de serviço: Educação e profissionalização, Saúde e Segurança. Agora querem se livrar do problema, os escondendo-os em calabouços contemporâneos. A sociedade brasileira já fez coisa parecida no passado, quando durante décadas jogou pessoas com doenças mentais em calabouços manicomiais. Hoje temos a luta antimanicomial no Brasil. Não há o que se falar – aqui em: Vigiar e Punir. Mais sim em excluir, punir e aniquilar. Estamos diante da possibilidade de um Genocídio da nossa juventude legitimada pelos os que têm a responsabilidade de proteger.

Para esta juventude, já excluída, só há uma certeza: É de que a morte é certa. A morte: social, psicológica, de sua identidade, familiar, a morte das possibilidades, e na maioria dos casos a morte física, Já que dentro ou fora do cárcere a morte é uma realidade, principalmente quando pobres, negros, jovens e sem instrução alguma estão em situação de vulnerabilidade.

O Estado não consegue atender o mínimo possível de ressocialização ou reabilitação dos já encarcerados no Brasil. Imaginem adolescentes convivendo dentro do sistema prisional, falido e violento, serão cooptados pela força da violência ou pelas outras possibilidades a estarem juntos no mundo do crime com as gangs, e com criminosos adultos. Convivendo com todo tipo de violência – inegavelmente eles ficaram piores do que entraram. Quando eles voltarem para as ruas quem será a próxima vítima? – Nós!

O Congresso Nacional arquiteta um golpe genocida contra a juventude e contra a Segurança Pública do Brasil. Com a redução da maioridade Penal estaremos potencializando a violência no Brasil para os próximos anos. Serão mais armas à venda, inclusive, aos jovens. Serão mais jovens a cometer mais crimes. Serão mais presídios a serem construídos. Serão mais presos a saírem das prisões e dispostos a cometerem crimes, logicamente, mais criminosos de volta aos presídios. Portanto a redução da maioridade penal é uma fraude contra os brasileiros pelas mãos de maus políticos financiados pelo capital privado, com intenção de ganhar muito dinheiro privatizando a construção e a gestão de presídios. Tudo isso resultando no genocídio da nossa juventude. E nós vamos alimentar - tudo isso?

No futuro com o aumento substancial da violência e da insegurança em relação ao que já temos hoje, os políticos completarão seu golpe fulminante contra os brasileiros. Vão propor a pena de Morte, justificando a escalada desenfreada da criminalidade e violência. Violência que eles mesmos ajudaram a construir, com a falta das políticas públicas necessárias e com suas políticas reacionárias – excludentes. Percorrendo caminho inverso da lógica em que outros países estão fazendo, ao investirem e apostarem numa educação de qualidade. Além do mais vários países estão discutindo aumentar a maioridade penal e a extinção da pena de morte, a exemplo dos Estados Unidos e outros países.

Logicamente a pena de morte é Cláusula pétrea dentro da Constituição Federal do Brasil, para mudá-la é preciso alterar a nossa Constituição Federal, um cenário propício – estar sendo criado agora, para tal feito. Um Congresso conservador e reacionário proporá uma Constituinte e o golpe estará dado, porque eles (os políticos) não querem apenas fazer valer a pena de morte na Constituição, eles querem muito mais - Isso por se só já é um atentado contra o Brasil. Eles querem a possibilidade de com a Constituinte instalada poderem desconstruir muitos dos direitos básicos dos brasileiros conquistados na Constituição Cidadã de 1988. Estar em construção uma política de privatizações, exclusão e redução de direitos por estes setores políticos que defendem a redução da maioridade penal, eles estão tão somente, defendendo a agenda do Capital.
Por traz da redução da maioridade penal existe um lado sombrio e amargo. Um projeto excludente e seletivo. Raivoso e retributivo. Com a absoluta intenção de obter poder e lucro. O Estado brasileiro tem uma dívida secular com a juventude brasileira. O Brasil escravizou, excluiu e abandou seus adolescentes e jovens em geral desde a nossa colonização.

A redução da maioridade penal é uma proposta oportunista contra a juventude querendo  avançar numa agenda do capital e de seus interesses privados que desconhece totalmente os acordos e, os compromissos internacionais, no qual o Brasil é signatário. Precisamos avançar para uma democracia plena, libertadora e educadora. E não para o cárcere, pois, este último não recupera ninguém. Só demostra bem a incapacidade de uma nação.

 A ausência de uma Educação de qualidade e transformadora. A impossibilidade de uma família presente: cuidadora e educadora. A falta de um Estado e de uma pátria solidaria. E a insensibilidade de toda uma sociedade em melhor exigir da classe política educação,  inclusão e novas possibilidades para crianças, adolescentes e jovens tem contribuído em muito para crianças, adolescentes e jovens cometerem crimes. Com este cenário fica obvio que haverá crimes  cometidos cada vês mais.

Devemos admitir que o Estado quer deixar de fazer o que é seu dever fazer. As famílias nunca estiveram tantas dificuldades em educar como agora. Mas os país estão preparados para educar seus filhos? Ao contrario cada vez mais vemos pais possibilitando uma liberdade aos seus filhos sem imporem responsabilidades por parte de seus filhos. O que vemos é liberdade sem limites.

Os Deputados da Paraíba, do Nordeste e do Brasil que defendem a redução da maioridade penal estão tentando satisfazer um jogo para a plateia ver e se alegrar. Querendo ludibriar a sociedade para fazer de conta que eles estão pensando no povo, na sociedade e nos bons costumes. Mas como? Se, é a classe política brasileira a mais denunciada por crimes, e que se abriga no chapéu da impunidade.

Eles querem punir uma geração de crianças, adolescentes e jovens, e quantas mais? Até quando? É o discurso de massa! Estes segmentos e políticos que defendem e lutam pela redução da maioridade penal querem criminalizar a juventude. Temos um Congresso conservador, covarde, incompetente e que estar buscando o retrocesso da luta e conquistas de direitos do povo brasileiro. A redução da maioridade penal pode ser considerada uma medida inteligente contra a criminalidade? Como reagirá os país, as famílias e a sociedade quando testificarem seus filhos sendo mortos ou , violentados sexualmente nas prisões? Como será encarado por toda sociedade ao ver adolescentes sendo queimados vivos, tendo suas cabeças degoladas com facas, seus testículos arrancados ainda vivos dentro dos presídios? Responsabilizar a quem? O que dirão as famílias e o Estado? O que farão? Devo lembrar que qualquer um de nós poderá ser tão vítimas quanto qualquer família.

Qual será o comportamento do adolescente ao chegar dentro dos presídios e ficarem lado a lado de criminosos e adultos bem mais violentos? Com medo de morrer nas mãos de adversários o que eles irão fazer? Se juntar as gangs ou as facções que dominam os presídios. É preciso dizer que o Estatuto da Criança e do Adolescente já traz à punibilidade a criança e ao adolescente, na medida de seu estado de desenvolvimento e idade. Portanto é mito afirmarmos que o menor não será punido se cometer ato infracional, para tanto ele será punido com as medidas sócio educativas. A inibição da criminalidade não será através da redução da maioridade penal e nem tão pouco faz justiça, muito pelo contrario. A inibição e controle da criminalidade passam por políticas sociais e polícias públicas, reformas e ampla modernização do Sistema de Justiça Criminal, uma revolução na educação e forte compromisso dos brasileiros em construir uma cultura de paz.

Já a inibição de atos infracionais cometidos por menores de 18 anos de idade e que é uma inquietação da sociedade brasileira passa pela efetiva aplicação do Estatuto da Criança e do Adolescente. O que na realidade não é feia pelo estado brasileiro. Desta forma podemos afirmar que basta o Estatuto da Criança e do Adolescente ser aplicado pelo Estado. Como diz o próprio estatuto: “Todas as oportunidades e facilidades, a fim de facultar o pleno desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social em condições de liberdade e de dignidade” (Art. 3ª do ECA). A maioria dos crimes no Brasil é cometida por adultos, mas a mídia tem dado destaque nas ocorrências que envolvem menores de 18 anos, dando a impressão de que só adolescentes cometem crimes, o que é falso.

Segundo a UNICEF – Fundo das Nações Unidas para a infância, dos 21 milhões de adolescentes brasileiros, apenas 0,013% cometeu atos contra a vida. Por outro lado o Brasil é o 2º colocado atrás apenas da Nigéria em números absolutos de homicídios contra adolescentes (vítimas). Os homicídios praticados contra adolescentes representam 36,5% das causas de morte por fatores externos dos adolescentes no Brasil. Enquanto para a população total corresponde 04,8% mais de 33 mil brasileiros entre 12 anos a 18 anos de idade foram assassinados entre 2006 e 2012. Ver-se, na verdade que os adolescentes estão sendo mortos sem que o Estado tome medidas eficientes e eficazes contra esse extermínio. A maioria que brada pela redução da maioridade Penal não se indigna sequer se importa no Brasil com tal extermínio dessa juventude.

No Brasil, sete jovens de 15 a 29 anos são mortos a cada duas horas, 82 por dia, 30 mil por ano. Esses mortos tem cor: 77% são negros. No Brasil a violência tem nome, tem cor, tem território e tem idade. Geralmente são negros, vivem em territórios empobrecidos com total ausência do Estado, e estão na faixa etária de idade de 14 a 29 anos de idade. Descaso do Estado, e da própria sociedade com essa parcela da população, a juventude. O Brasil ainda convive, em suas estruturas políticas, no Estado e na própria cultura do povo brasileiro, uma doutrina cultural e comportamental da política criminal retributiva, ou seja, retribuir ao criminoso o que ele fez a sociedade, como se isso fosse por se só fazer justiça.

O Cárcere no Brasil – A realidade do encarceramento no Brasil revela que:  O Brasil ocupa a 4ª posição no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos (22 milhões); China (1,6 milhões) e Russia (740 mil). Dados do Anuário da Segurança Pública do Brasil de 2014 apontam que a população carcerária brasileira ultrapassou 574 mil presos. Enquanto isso a mesma fonte indica que havia 20.523 adolescentes cumprindo medidas socioeducativas de internação, mas apenas 11,1% correspondem a crimes violentos contra a vida (homicídio e latrocínio). A realidade carcerária é de fácil diagnóstico: Presídios superlotados, desumanos, desorganizados e violentos, condições sub-humanas e sem perspectivas de reabilitação social. Concluo, afirmando que os mesmos que clamam pela redução da maioridade penal convivem sem espanto nenhum com a morte da juventude negra e branca, pobre e sem perspectivas das periferias e do interior. Inegavelmente, educar é mais produtivo e mais eficiente do que punir.

Astronadc  Pereira de Moraes
Sargento da PM da PB. Psicólogo e Especialista em Criminologia e Psicologia Criminal.

7 anos de atividades em Presídios da PB. 14 Anos como Sargento do GATE – AGRUPAMENTO DE AÇÕES TÁTICAS DA PB. Instrutor do Sistema Policial. E-mail: astronado@hotmail.com / Face Book: ASTRONADC. Contato: (83) 8831 2855

terça-feira, 19 de maio de 2015

A DESMILITARIZAÇÃO E AS REFORMAS PROFUNDAS NO SISTEMA DE JUSTIÇA CRIMINAL DO BRASIL.

 A DESMILITARIZAÇÃO DAS POLÍCIAS DO BRASIL_________________Perguntas e Perspectivas.

A quem interessa o atual modelo militar de polícia 

O atual modelo militar de polícia interessa a todos os governos. Historicamente o Brasil promoveu uma polícia de governo e não de Estado. A maioria dos parlamentares e congressistas faz parte da elite brasileira ou de alguma forma representa a elite e ou as oligarquias do Brasil. Precisamos entender que as policias no Brasil sempre estiveram a disposição do governo e de suas decisões. O atual partido do governo federal (PT) antes de assumir o governo brasileiro defendia a Desmilitarização, e reformas na polícia brasileira. No entanto já completamos 12 anos de governo petista e o tema não avança nem dentro do partido e nem no Congresso Nacional. Os partidos da oposição se associam as bancadas da bala, ao agronegócio, aos oficiais militares e inviabilizam qualquer discursão ou construção neste sentido. As policiais militares parecem um Estado dentro do Estado brasileiro. No entanto os policiais são tratados como sujeitos sem direitos.


A quem interessa a desmilitarização

Desde de 2009 a 2014, vem ocorrendo varias pesquisas junto a categoria dos policiais em todo o Brasil,  64.130 policiais foram ouvidos na pesquisa da SENASP-Secretaria Nacional de Segurança Pública. Destes 64.130 policiais 77,2% dos entrevistados não concordaram que a Polícia Militar e os Corpos de Bombeiros sejam subordinados ao Exército Brasileiro e 53,4% discordaram que o julgamento da categoria policial militar seja feito pelas justiças militares estaduais.
Devo lembrar que todo esse desejo de mudanças na polícia militar pela própria categoria é fruto do sentimento contra a uma hierarquia extremamente rígida mais que principalmente atingi os policiais de base (praças: soldados, cabos, sargentos e subtenentes), esta parcela da categoria reclama do desrespeito, injustiças e humilhações históricas dentro da polícia.

A pesquisa revela também que 81%, dos policiais (em maioria policiais militares) acreditam que “há muito rigor em questões internas e pouco rigor em questões que afetam a Segurança Pública” e 65,2% dizem que “há um número excessivo de níveis hierárquicos em sua instituição.
Mas não é apenas do interesse de Policiais Militares a desmilitarização, há uma parte menor da sociedade brasileira que já se organiza neste movimento.


O que muda, na prática, com a desmilitarização? Ela resolve por si só todos os problemas
  
A Desmilitarização por si só não resolve todos os problema da Polícia. Seria ingenuidade pensar desta forma. Na prática seria a garantia dos Direitos Constitucionais de milhares de profissionais da Segurança Pública, os policiais militares estaduais. Uma formação mais humanizada. E uma atuação mais próxima das comunidades e coletivos sociais. No entanto isso por si só não basta. Os resquícios autoritários continuariam. A cultura militarista, ainda estaria dentro das mentes e corações de muitos profissionais da Segurança.

Tenho a compreensão de que a desmilitarização das policiais militares é uma necessidade inadiável da democracia brasileira. Mas é imperativo que a desmilitarização venha acompanhada de uma reforma e modernização do Sistema policial e do Sistema de Justiça Criminal como um todo, ou seja, reformas nas polícias, na Justiça, no sistema prisional.

O Brasil precisa inovar na Segurança Pública e tornar as policiais num único modelo civil atendendo os anseios e necessidades da democracia. E criar segmentos policiais capazes de atender a necessidade da sociedade brasileira contra o avanço da criminalidade no país. Uma polícia forte, republicana e democrática. Esta polícia a nível estadual poderia ter sua atribuição e atuação bem definida com dotação orçamentarias próprias e compatíveis com suas necessidades.

Nos EUA existem mais de 19 mil tipos de policias atuando sincronicamente dentro do sistema de justiça. Mas é o governo Federal Americano que organiza a política Criminal e os estados executam esta política.

Já no Canadá a Real Polícia Montada apresenta-se como um modelo de polícia com bons resultados. De forma que existem inúmeros modelos de polícia no mundo.

É preciso dizer que no Brasil a população espera que a Polícia Militar faça além do policiamento Ostensivo, também se desdobre, atue e combata inúmeros delitos. Este último fato compromete a atuação e a qualidade ao qual a polícia militar tem já função definida, o policiamento ostensivo. No Brasil será preciso criar estruturas policiais para o combate, inibição e controle da criminalidade, da violência e do crime. Como fazer tudo isso com uma polícia ainda militarizada?


Há quem questione a desmilitarização, alegando que ela é uma falácia e que a polícia precisa tratar os criminosos de fato como inimigos. E que, pra enfrentar os criminosos, tem de agir com todo rigor. Por que o senhor não concorda com isso?

Porque a Lei deve valer pra todos. O mesmo rigor que é dado numa comunidade carente e empobrecida não é dado nas comunidades ricas, elitizadas. Basta analisar como a polícia se comporta nas áreas de praia, em condomínios de luxo ou em setores e territórios mais privilegiados da população, e como a polícia se comporta nas periferias, em locais onde o estado não estar presente, tais como: prédios abandonados, onde vivem sem tetos ou drogaditos, nas favelas e comunidades carentes.

Eu discordo totalmente da truculência do Estado. Se a polícia é rigorosa com o cidadão comum é porque a culpa é do Estado, é do governante. É dever do governante - promover políticas para formar melhor, treinar e capacitar a polícia para atuar em confrontos armados mais também para atuar na resolução de conflitos. Ter uma polícia respeitosa e com credibilidade. Mas como confiar numa polícia que agredi professores amando do governante?

Se a polícia é importante para a manutenção da ordem, evidentemente é importante para a defesa dos direitos. A Polícia, antes de tudo, defende direitos, logicamente precisa atuar respaldada na lei, caso contrario se igualará aos criminosos que ela mesmo combate.

Como ter uma polícia que respeita os direitos do cidadão mas que também se faz respeitada pela população e temida por criminosos? A valorização salarial é fundamental nesse processo também?

Numa democracia a polícia é o termômetro de uma sociedade. Não há possibilidade de haver uma sociedade em um território sem a presença de uma polícia. Desta forma precisamos entender qual é a polícia que a sociedade brasileira precisa e deseja? Qual a polícia que os policiais querem construir?

Uma polícia que respeita os direitos do cidadão precisa primeiramente respeitar o direitos de seus próprios integrantes, os policiais.  Para uma polícia ser respeitada pela população é preciso que esta mesma polícia respeite toda sociedade: pobres e ricos, negros e brancos, índios, homens e mulheres, comunidade LGBTs, crianças, adolescentes, jovens e idosos.

Para uma polícia ser temida por criminosos esta polícia precisa ser exemplo de profissionalismo, ética, com credibilidade, eficiência, com alto poder de resolutividade de crimes, forte presença e parceira permanente da comunidade. Uma polícia de Estado e não de governos. Uma polícia democrática.

E para a polícia alcançar tudo que falo é preciso que haja a valorização salarial dos policiais. Sem salários dignos as polícias vão continuar existindo mais a categoria policial se condicionará eternamente a uma “espécie” de greve branca. A valorização da atividade policial é fundamental e impostergável para termos uma boa polícia para o Brasil. Tenho a percepção que será necessário que a polícia se torne parceira incontestável da sociedade para juntos construirmos a polícia que todos nós sonhamos e o Brasil precisa. A sociedade brasileira precisa reconhecer os bons policiais, as boas ações das polícia. E promover as mudanças necessárias.


É possível dizer que cresce, dentro da polícia, o desejo pela desmilitarização

Sim. Com certeza. Quando eu entrei na polícia a 25 anos atrás, este movimento já se iniciava dentro dos quartéis. A partir do momento que a sociedade evolui, a polícia naturalmente tenderá a evoluir ou este modelo será extinto. O movimento pela desmilitarização é um movimento democrático, realizado por universitários, professores, movimentos socias, partidos políticos, associações e entidades de classe, Ongs,  policiais, entre outros.

As pesquisas do governo Federal apontam para esse sentimento dentro das corporações policiais do Brasil. Tudo isso é fruto do que a instituição policial militar produziu e continua a produzir nas vidas de parte de seus integrantes.

A pesquisa ainda realizada pela SENASP nos revela que 65,6% dos policiais consultados responderam que “a hierarquia de sua instituição provoca desrespeito e injustiças profissionais” e os que mais se incomodam com isso são justamente os policiais militares nos postos mais baixos, ou seja, 73,3%. Um quinto de todos os consultados diz que já sofreu “tortura” em treinamento ou fora dele e 53,9% dizem que já foram humilhados ou desrespeitados por superiores. Inegavelmente as pesquisas demostram que estas corporações militares funcionam como exércitos de governos e não estão devidamente organizados como polícias, havendo assim a precariedade e desvio de função da atividade policial para o enfrentamento da criminalidade e do controle interno da violência.  O que dizer de uma polícia que desrespeita os direitos de seus próprios integrantes?


Cresceu no Congresso na última legislatura a chamada bancada da bala, composta por parlamentares financiados pela indústria de armas e por policiais ou militares de discurso linha-dura. Por que o discurso linha dura elege tantos políticos?

A Polícia Militar é uma instituição secular, e os policiais militares sempre foram colocados ao ostracismo político e qualquer forma de reivindicar direitos ainda é visto como uma ameaça ao comando e ao militarismo. Assim os policiais para não serem punidos e presos – preferem apostar seu voto em quadros internos. Os políticos que apresentam um discurso “linha dura” são eleitos a partir de um pacto corporativista. Eles têm que defender os policiais principalmente na questão salarial. E tornar as vozes resignadas, porém, indignadas da categorial policial uma voz forte na tribuna.

A meu ver cada vês mais teremos policiais nas assembleias e no Congresso Nacional, e um dia é possível fazermos governadores, como ocorre em outros países.

A nossa luta para termos Ascenção funcional, carreira única, fim das jornadas de trabalhos injusta e abusiva, fim do assedio moral dentro dos quartéis e na formação policial, direitos as políticas sociais. Tudo isso e muito mais tem levado a nós polícias a nos agruparmos e nos unirmos em defesa de projetos de ocupação de espaços de poder nas assembleias e no Congresso Nacional. Esta é uma construção política da nossa categoria.

No entanto é preciso mais empenho destes policiais parlamentares, eles precisam se envolver mais com as questões sociais, e trazer a sociedade para perto da polícia, lutar contra a corrupção, e ajudar a Brasil construir uma política de valorização de todos os profissionais da Segurança Pública. A luta deles deve começar pelo respeito aos direitos humanos dos policiais e do cidadão civil, pelo fortalecimento da democracia, e pelas Reformas e modernização das policias. Não basta ter um mandato nas mãos, ele (o mandato) precisa promover transformações significativas nas vidas dos policiais.

O governo Federal do Brasil tem estado ausente para uma política seria e responsável pela Segurança Pública do País. Basta ver nas últimas eleições o governo Federal não teve como apresentar uma política de Segurança Pública. Os governos estaduais não tem como mexer nas estruturas da polícia. E a sociedade não cumpre seu papel – o de exigir Segurança Pública de qualidade.

O Brasil precisa fazer uma profunda Reforma e modernização do Sistema de Justiça Criminal, ou seja, promover as reformas necessárias das Polícias, as reformas na Justiça, as reformas no Sistema Prisional.

Ou a polícia alcança a Democracia ou a Democracia alcançará a polícia. A justiça Brasileira precisa estar mais acessível ao povo, mais democrática e mais eficiente. Precisamos de um sistema prisional que tenha condições efetivas de recuperar e reabilitar pessoas a conviverem em paz na sociedade de forma produtiva.

No Brasil ainda existem as Justiças Militares. O Brasil precisa extinguir as justiças militares estaduais. A existência da justiça militar nos estados demostra, bem,  como ainda vivemos uma espécie de Estado de exceção, logicamente não temos ainda no Brasil uma Democracia Plena. Os direitos dos policiais é algo inabdicável e que se revela de profunda nobreza a luta desta categoria para alcançar a democracia. A luta agora é por direitos, afinal de contas o policial, é antes de tudo um cidadão.


 ASTRONADC PEREIRA DE MORAES